Quamquam Pluries
As razões pelas quais o Bem-aventurado José deve ser considerado especial Patrono da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua protecção e do seu patrocínio, provêm principalmente do facto de ele ser esposo de Maria e pai putativo de Jesus.
Ficha do Documento
Tipo
Encíclica
Data
1889
Autor
Papa Leão XIII
Título original
Quamquam Pluries
Tese central
Encíclica de 15 de agosto de 1889 em que Leão XIII explica por que São José é Patrono da Igreja, apresenta-o como modelo para todos os estados de vida e manda acrescentar ao Rosário de outubro a oração «A vós, São José».
Pontos centrais
- Recurso à intercessão em tempos de provação
- Esposo de Maria e pai putativo de Jesus
- Da Família de Nazaré à Igreja universal
- José do Egito, figura de São José
- Modelo para todos os estados de vida
- Os pobres, o trabalho e a justiça
- Disposições práticas e a oração a São José
Contexto
Leão XIII publicou a Quamquam Pluries em 15 de agosto de 1889, menos de vinte anos depois de o Beato Pio IX ter declarado São José Patrono da Igreja Católica (8 de dezembro de 1870). O Papa descreve um tempo pouco menos penoso para a Igreja que os piores da sua história: a fé enfraquecida em muitas almas, a caridade arrefecida, a Igreja atacada pela força e pela astúcia, e uma guerra aberta contra o Romano Pontífice. Diante disso, afirma que os remédios humanos não bastam e que é preciso recorrer ao poder de Deus. É a primeira encíclica inteiramente dedicada a São José — o próprio Papa diz que fala publicamente desta devoção pela primeira vez.
A intercessão em tempos de provação
O documento nasce como chamado à oração (n. 1–2). Leão XIII recorda o costume da Igreja de, nas horas de perigo, recorrer à intercessão dos santos — sobretudo da Virgem Maria — e pede que o mês de outubro, já consagrado ao Rosário, seja vivido com ainda mais fervor. A esse pedido acrescenta outro: que o povo cristão invoque, junto com a Mãe de Deus, o seu castíssimo Esposo, São José, certo de que isso agrada à própria Virgem.
Esposo de Maria e pai putativo de Jesus
O núcleo teológico está no n. 3. A dignidade, a santidade e a glória de São José brotam de dois fatos: foi esposo de Maria e foi tido como pai de Jesus. Pelo matrimônio, que é a mais íntima das uniões, José aproximou-se como ninguém da dignidade da Mãe de Deus. E pela vontade divina foi guarda do Filho de Deus. Nas palavras de Leão XIII, em tradução citada por São João Paulo II: «Ele entre todos, impõe-se pela sua sublime dignidade, dado que, por disposição divina, foi guardião e, na opinião dos homens, pai do Filho de Deus» (Redemptoris Custos, 8).
Da Família de Nazaré à Igreja universal
Daqui decorre o patrocínio. A casa de Nazaré, que José governava com autoridade de pai, continha em germe a Igreja nascente. Assim como sustentou com o seu trabalho e defendeu do perigo a Sagrada Família, é natural que agora cubra com o seu celeste patrocínio a Igreja de Cristo — a imensa família de cristãos espalhada pela terra, sobre a qual exerce como que uma autoridade paterna. É esse o raciocínio que fundamenta o título de Patrono da Igreja Universal.
José do Egito, figura de São José
No n. 4, o Papa retoma uma leitura de muitos Padres da Igreja, acolhida pela liturgia: o patriarca José, filho de Jacó, foi figura de São José. Além do mesmo nome, o primeiro José fez prosperar a casa do seu senhor e, na fome, proveu ao sustento de todo o Egito. O segundo, guarda da religião cristã, deve ser tido como protetor e defensor da Igreja, que é a casa do Senhor e o Reino de Deus na terra.
Modelo para todos os estados de vida
Leão XIII mostra que todos encontram em José um modelo: os pais de família, a solicitude e a vigilância paterna; os esposos, o amor, a paz e a fidelidade conjugal; as virgens, o modelo e o protetor da integridade virginal. Os nobres aprendem a guardar a dignidade na adversidade; os ricos, quais bens devem desejar. Aos operários e artesãos, o recurso a José pertence por direito especial: de sangue real, ele viveu do trabalho das próprias mãos. Daí a conclusão do Papa: a condição humilde nada tem de vergonhoso, e o trabalho, unido à virtude, é enobrecido.
Os pobres, o trabalho e a justiça
No n. 5, dois anos antes da Rerum Novarum (1891), o Papa dirige-se aos pobres e aos que vivem do próprio trabalho. É justo que busquem sair da pobreza por meios legítimos; mas a violência e a sedição só agravam os males que pretendem remediar. Que confiem, portanto, não nas promessas de agitadores, mas no exemplo e no patrocínio de São José e na caridade materna da Igreja.
Disposições práticas e a oração a São José
O n. 6 traz as determinações concretas. Durante todo o mês de outubro, à recitação do Rosário deve juntar-se uma oração a São José, enviada com a encíclica, e o costume deve repetir-se todos os anos. O Papa louva a prática de consagrar o mês de março ao Santo Patriarca, recomenda um tríduo antes da sua festa onde isso não for possível, e exorta os fiéis a santificar o dia 19 de março mesmo onde não é dia de preceito. A oração anexa é a que hoje se reza como «A vós, São José, recorremos em nossa tribulação». São João Paulo II cita um dos seus pedidos: «Afastai de nós, ó pai amantíssimo, esta peste de erros e de vícios» (Redemptoris Custos, 31).
Onde ler o texto integral
A Santa Sé não publica tradução oficial em português da Quamquam Pluries. O texto integral está disponível no site do Vaticano em inglês, espanhol, italiano e latim. Por isso, esta página apresenta um resumo fiel do documento, e as citações em português são apenas as que o próprio Magistério traduziu ao citá-lo na exortação apostólica Redemptoris Custos (1989), publicada no centenário da encíclica.
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Fontes
Ordenadas por autoridade doutrinal
- Quamquam Pluries (texto oficial em inglês)
Papa Leão XIII · Magistério
- Quamquam Pluries (texto oficial em latim)
Papa Leão XIII · Magistério
- Redemptoris Custos, n. 8, 28 e 31
Papa São João Paulo II · Magistério

