Por Que Ser Devoto de São José?
Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade.
A devoção a São José não é preferência sentimental nem costume de outras gerações. É uma recomendação insistente da Igreja. Leão XIII dedicou-lhe uma encíclica inteira, a Quamquam Pluries (1889); São João Paulo II escreveu a Redemptoris Custos no centenário desse documento, para que crescesse em todos a devoção ao Patrono da Igreja universal e o amor ao Redentor que ele serviu; o Papa Francisco, na Patris Corde (2020), lembrou que, depois de Maria, nenhum santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício. Ser devoto de São José é seguir esse caminho que a própria Igreja aponta.
A primeira razão está em quem ele é. Deus escolheu José para ser esposo da Virgem Maria e pai de Jesus diante dos homens. Leão XIII ensina que a dignidade, a santidade e a glória de São José brotam dessas duas fontes. Na tradução citada pela Redemptoris Custos: as razões do seu patrocínio «provêm principalmente do facto de ele ser esposo de Maria e pai putativo de Jesus» (Redemptoris Custos, 28). Nenhum outro homem recebeu de Deus missão semelhante.
A segunda razão é a sua missão em favor da Igreja. A casa de Nazaré, que José sustentou com o seu trabalho e protegeu do perigo, continha em germe a Igreja nascente. Por isso o Beato Pio IX o declarou Patrono da Igreja Católica em 1870, e Leão XIII explica que é natural que aquele que guardou a Família de Nazaré cubra agora com o seu patrocínio celeste toda a família dos cristãos. Quem recorre a São José recorre ao guardião que Deus deu à sua Igreja.
A terceira razão é a eficácia da sua intercessão. Francisco escreve que todos podem encontrar em São José um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. Recorda também o testemunho de Santa Teresa de Ávila, que o tomou como advogado e intercessor e afirmava ter recebido dele todas as graças que lhe pedia. A confiança do povo cristão resume-se na expressão «Ite ad Joseph», tomada do Gênesis: «Ide ter com José; fazei o que ele vos disser» (Gn 41,55).
A quarta razão é o seu exemplo. A devoção não se reduz a pedir: é também imitar. São João Paulo II afirma que, além da confiança na proteção de José, a Igreja confia «no seu exemplo insigne, um exemplo que transcende cada um dos estados de vida e se propõe a toda a comunidade cristã» (Redemptoris Custos, 30). Leão XIII já havia mostrado que pais, esposos, virgens, ricos, pobres e trabalhadores encontram nele um modelo — a fé obediente, o silêncio, a fidelidade, o trabalho honesto.
Como começar? Pelos meios que a própria Igreja consagrou. A oração «A vós, São José, recorremos em nossa tribulação», que Leão XIII mandou rezar com o Rosário de outubro. As invocações das quartas-feiras e o mês de março, tradicionalmente dedicados a ele, como lembra a Patris Corde. A Litania de São José, a novena e, para quem deseja um compromisso maior, a consagração. São práticas simples, aprovadas e acessíveis a qualquer fiel.
Toda devoção verdadeira a São José conduz a Jesus. José não retém para si quem a ele recorre: leva a Maria, e por Maria ao Filho que ele guardou. É por isso que a Igreja nunca deixou de recomendá-lo. São José, rogai por nós.
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Fontes
Ordenadas por autoridade doutrinal
- Patris Corde
Papa Francisco · Magistério
- Redemptoris Custos, n. 1, 28 e 30
Papa São João Paulo II · Magistério
- Quamquam Pluries
Papa Leão XIII · Magistério

