A Paternidade Legal e Real de São José
Chamar São José de 'pai adotivo' de Jesus, embora comum, é teologicamente impreciso. A paternidade de José é única na história humana: não é biológica, mas também não é mera adoção. É uma paternidade virginal, querida diretamente por Deus.
O anjo chamou José de pai de Jesus ao dizer: 'José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa' (Mt 1,20). Maria também o reconheceu como pai: 'Teu pai e eu te procurávamos angustiados' (Lc 2,48). Os habitantes de Nazaré conheciam Jesus como 'filho de José' (Lc 4,22).
A paternidade de José é legal porque, pelo casamento válido com Maria, todos os direitos paternos sobre Jesus pertenciam a José. Pelo direito judaico, o filho nascido na constância do casamento pertencia ao marido. Assim, Jesus herdou legalmente a linhagem davídica através de José.
Mas a paternidade de José é também real, não apenas legal. Ele exerceu todas as funções paternas: deu nome a Jesus, proveu sustento, proteção, educação, transmitiu o ofício de tekton, ensinou a Lei e as tradições de Israel.
Papa São João Paulo II ensina: 'José é chamado pai de Jesus não apenas em razão do matrimônio com Maria, mas também pela responsabilidade paterna assumida na vida de Jesus' (Redemptoris Custos, 8). A paternidade se define pela missão, não apenas pela biologia.
Esta paternidade virginal de José reflete, de modo único entre os homens, a paternidade do próprio Deus Pai. José foi a sombra terrena do Pai celeste, manifestando visivelmente o amor paterno invisível de Deus sobre o Filho encarnado.
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Fontes
Ordenadas por autoridade doutrinal
Evangelho segundo São Mateus
Evangelho segundo São Lucas
- Redemptoris Custos
Papa São João Paulo II · Magistério
- Patris Corde
Papa Francisco · Magistério
Suma Teológica III, q. 28
São Tomás de Aquino · Magistério

