Bonum Sane
Ficha do Documento
Tipo
Motu Proprio
Data
1920
Autor
Papa Bento XV
Título original
Bonum Sane
Tese central
Documento de 25 de julho de 1920 em que Bento XV, logo após a Primeira Guerra Mundial, propõe São José como guia dos trabalhadores, modelo das famílias e protetor dos moribundos, e manda celebrar em todo o mundo o cinquentenário do seu patronato.
Pontos centrais
- O cinquentenário do patronato
- O pós-guerra e o naturalismo
- São José, guia dos trabalhadores
- Por José a Maria, por Maria a Jesus
- Patrono dos moribundos
- A celebração jubilar
Contexto
Em 8 de dezembro de 1870, o Beato Pio IX declarou São José Patrono da Igreja Católica. Às vésperas do cinquentenário, Bento XV publicou, em 25 de julho de 1920, o motu proprio Bonum Sane — um documento escrito por iniciativa do próprio Papa. O mundo saía da Primeira Guerra Mundial, e o Pontífice acabara de tratar, na encíclica Pacem Dei Munus (maio de 1920), da reconciliação entre os povos. Aqui ele se volta para uma desordem mais profunda, instalada no interior da própria sociedade.
O pós-guerra e o naturalismo
Bento XV diagnostica que a guerra encontrou os povos já contaminados pelo naturalismo, que chama de grande peste do século: onde se enraíza, diminui o desejo dos bens celestes, apaga a caridade e afasta o homem da graça de Cristo. Daí a corrida aos bens terrenos, o ódio de classes agravado pela guerra, o enfraquecimento da fidelidade conjugal e da autoridade paterna, e a corrupção dos costumes públicos. O Papa aponta ainda o projeto de uma república universal fundada na igualdade absoluta e na comunhão de bens, que negaria a autoridade do pai, do poder público e de Deus.
São José, guia dos trabalhadores
Para preservar do socialismo — que o Papa chama de inimigo dos princípios cristãos — os que ganham o pão com o trabalho, Bento XV propõe-lhes São José como guia e celeste patrono. José viveu uma vida semelhante à deles, a ponto de Jesus querer ser chamado «o filho do carpinteiro» (Mt 13,55), e soube ornar essa condição humilde com as mais altas virtudes. Sobre os operários, o Papa retoma expressamente o n. 5 da Quamquam Pluries, de Leão XIII: a melhora de condição por meios justos é legítima; a violência e a sedição, não.
Por José a Maria, por Maria a Jesus
O documento liga a devoção a São José à devoção à Sagrada Família, da qual ele foi a cabeça: as duas brotam uma da outra. Por José se vai a Maria, e por Maria a Jesus, origem de toda santidade, que consagrou as virtudes domésticas pela sua obediência a José e a Maria. Bento XV deseja que as famílias cristãs se modelem por esse exemplo, pois a família é o fundamento da sociedade: fortalecida pela pureza, pela concórdia e pela fidelidade, renova também a vida pública.
Patrono dos moribundos
O Papa pede aos bispos que levem os fiéis a recorrer com mais empenho a São José e que promovam as devoções já aprovadas pela Santa Sé, sobretudo as das quartas-feiras e do mês a ele consagrado. Recomenda de modo particular as associações que rezam pelos agonizantes — como as da Boa Morte e do Trânsito de São José —, porque São José, tendo morrido assistido por Jesus e Maria, é com razão tido como o mais eficaz protetor dos moribundos.
A celebração jubilar
Para comemorar o decreto de Pio IX, Bento XV determina que, no prazo de um ano a partir de 8 de dezembro de 1920, se celebre em todo o mundo católico uma função solene em honra de São José, Esposo da Virgem Maria e Patrono da Igreja Católica, no modo e na data que cada bispo julgar oportunos, e concede indulgência plenária, nas condições habituais, a quem dela participar.
Onde ler o texto integral
A Santa Sé publica o Bonum Sane apenas em italiano e em latim; não há tradução oficial em português. Esta página apresenta um resumo fiel do documento. Para o texto integral, consulte a versão oficial no site do Vaticano, indicada nas fontes.
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Fontes
Ordenadas por autoridade doutrinal
- Bonum Sane (texto oficial em italiano)
Papa Bento XV · Magistério
- Bonum Sane (texto oficial em latim)
Papa Bento XV · Magistério

